Le mot du Recteur

Somos, de facto, um povo e um país único no Ocidente. Patriotas, sobretudo para o futebol. Mais uma vez, não faltou um governante de topo para cada jogo no campeonato do mundo, até à nossa eliminação: o Chefe do Estado, Primeiro-ministro e Presidente da Assembleia da República lá foram em romaria “apoiar” a Selecção nacional e lembrar-nos quão bons somos. Nenhum outro país europeu fez igual. Isto mostra bem um certo “parolismo” que marca a política nacional e a nossa sociedade.

Curiosamente, o senhor Presidente da República disse à «maravilhosa seleção» (sic) que «milhões de crianças sonham ser como vós», que «imensas Famílias vão parar – [sem] fazer absolutamente nada – durante 90 minutos a olhar e torcer pela nossa selecção». «Um torneio destes – continuou o Presidente da República – passa por muitas dificuldades, tem muitas exigências (…) mas é aí que se mostra a fibra de ser português, a alma de ser português».

Ou seja, a Selecção Nacional tornou-se o espelho da Nação. Ora, o resultado final foi decepcionante e, no entender de muitos comentadores, ela teve uma prestação pobre e desarticulada. Ou seja, muitos bons jogadores mas fraca equipa, que não consegue chegar à baliza do adversário. Só neste campeonato Messi e Mbappé marcaram 8 golos, Dembélé 5 e o Ronaldo marcou 3. Passemos do espelho da nação portuguesa à realidade do País.

A produtividade portuguesa caiu para 66,8% da média da União Europeia. Trabalhamos mais (a economia cresceu em 2025 em 1,9%) mas produzimos menos por cada hora. Ou seja, a riqueza total produzida no país, dividida pelo número de horas trabalhadas, revela que produzimos menos pelo tempo trabalhado que os outros os países europeus. O trabalhador português é menos eficaz, como o atacante que corre muito, mas não marca golos. Assim vai a Selecção, assim vamos nós.

Por outro lado, a população de Portugal cresceu rapidamente. Demais. Números redondos: somos agora 11 milhões e 600 mil residentes. Para aqui chegar, contamos com a imigração: o número de estrangeiros duplicou nos últimos cinco anos (passando de 700 mil e tal para 1 milhão e 500 / 600 mil). Entretanto, os sistemas de ensino e de saúde, por exemplo, não estavam preparados para este aumento de 15% de habitantes. Para não falar da segurança, da habitação, etc. Nós cristãos jogamos noutro campeonato: o amor ao nosso País não pode passar apenas pelos torneios da bola, mas por aprofundar e acelerar o nosso desenvolvimento, sem tiradas patrioteiras em vésperas de campeonato!

Neste verão: descanse, evite os excessos e repouse no Senhor!

Com amizade, P. Nuno