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Viver sem respirar
«Este é o dia solene em que, depois de sua Ressurreição e depois da glória de sua Ascensão, Jesus Cristo Nosso Senhor enviou o Espírito Santo» (Santo Agostinho, Sermão 271, 1). Também hoje se renova o que aconteceu no Cenáculo: como um vento impetuoso que nos agita, como um estrondo que nos desperta, como um fogo que nos ilumina, desce sobre nós o dom do Espírito Santo (cf. Act 2, 1-11)», ensinava o Santo Padre Leão XIV na sua 1ª missa de Pentecostes como Sucessor de São Pedro, em 2025.
Um facto que nos devia surpreender é o relato daquele primeiro Pentecostes cristão, em Jerusalém, no livro dos Actos dos Apóstolos: «Não são todos galileus os que estão a falar? Então, como é que os ouve cada um de nós falar na sua própria língua?» E são Lucas indica as muitas nacionalidades e origens desses peregrinos na Cidade Santa.
O Papa comentava assim há um ano atrás: «Eis que, então, na festa de Pentecostes, as portas do cenáculo se abrem porque o Espírito abre as fronteiras. Como afirmou Bento XVI: «O Espírito Santo concede o dom da compreensão. Ultrapassa a ruptura que teve início em Babel – a confusão dos corações, que nos faz ser uns contra os outros – e abre as fronteiras. […] A Igreja deve tornar-se sempre de novo aquilo que ela já é: deve abrir as fronteiras entre os povos e romper as barreiras entre as classes e as raças. Nela não pode haver esquecidos nem desprezados. Na Igreja existem unicamente irmãos e irmãs livres em Jesus Cristo» (Homilia no Pentecostes, 15.5.2005).» Livres, sim, para podemos amar, sem desistir.
As fronteiras que separam e dividem e as diferentes linguagens que nos dificultam a comunicação e, por isso, a comunhão entre nós, não existem apenas na geografia, nos mapas e nas assembleias internacionais. Estão no nosso coração. Todos recebemos o mesmo Espírito Santo, que reúne e une, como ensina hoje São Paulo: «Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos baptizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito.» A palavra espírito significa sopro e, por isso, respirar, inspirar, expirar. No entanto, a divisão e a divergência em nós é fácil e a unidade tão frágil: aonde estamos nós ainda: na torre de Babel ou no Cenáculo de Jerusalém?
Não haja dúvidas: quem divide, afasta e volta as costas ao irmão, colabora com o Diabo, mas não com o Espírito de Deus. Contrariar a acção unitiva do Espírito é pretender viver sem respirar!
Com amizade, P. Nuno