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La belle Vie
Chegados ao 4º domingo da Páscoa, somos sempre confrontados com esta expressão: Jesus é o Bom Pastor, que dá a vida pelas Suas ovelhas. Foi fixado neste domingo o Dia mundial de oração pelas Vocações e de partilha pelos serviços da Igreja que as promovem.
Diz-nos o Papa: «No Evangelho de João, Jesus define-se literalmente [em grego, a língua em que foram escritos os Evangelhos] como o “pastor belo” (ὁποιμὴν ὁκαλός) ( Jo 10, 11). A expressão indica um pastor perfeito, autêntico, exemplar, na medida em que se mostra disposto a dar a vida pelas suas ovelhas, manifestando assim o amor de Deus. É o Pastor que deslumbra: quem olha para Ele descobre que, seguindo-O, a vida é realmente bela. Para conhecer esta beleza, não bastam apenas os olhos do corpo ou critérios estéticos: são necessárias a contemplação e a interioridade. Só quem pára, escuta, reza e acolhe o Seu olhar [o de Cristo] pode dizer com confiança: “Acredito n’Ele, com Ele a vida pode ser realmente bela, quero percorrer a via desta beleza”. E o mais extraordinário é que, ao tornarmo-nos Seus discípulos, nos tornamos também “belos”: a Sua beleza transfigura-nos. Como escreve o teólogo Pavel Florenskij, o esforço de conversão, não cria o homem “bom”, mas o homem “belo”. Na verdade, a característica que distingue os santos, além da bondade, é a luminosa beleza espiritual que irradia de quem vive em Cristo. Assim, a vocação cristã revela-se em toda a sua profundidade: participar da Sua vida, partilhar a Sua missão, brilhar a partir da Sua própria beleza.»
Vivemos num tempo que hipervaloriza a aparência física e exterior. As salles de sport estão cheias, as pessoas correm por todo o lado (e fazem bem! Mas correm para onde, além de voltarem para casa?). Na internet multiplicam-se os influencers que debitam aos milhares indicações e “conselhos” para melhorar essa aparência, pondo por vezes em risco a saúde e a vida das pessoas (muitas delas jovens).
As comunidades emigrantes em Paris não dão vocações à Igreja, quer dizer, a todos nós. Percebe-se uma falta de interioridade muito grande nos nossos jovens para se porem a questão: como hei-de ser feliz, contribuindo para a felicidade dos outros? A perspectiva espiritual não está presente quando pensam no seu projeto de vida futura. A vocação é, sobretudo, entendida como profissão para ganhar dinheiro. A crise, no entanto, não está apenas na falta de padres ou religiosas/os nas diversas formas de consagração. É sobretudo uma crise de compromisso: baixou o número de casamentos, aumentou muito o divórcio e muitos nem acreditam na instituição matrimonial como projecto de vida fundada em compromissos (e no dom de Deus no caso do casamento católico). A nossa vida poderia ser mais bela, se fosse mais e melhor vivida em Cristo!
Com amizade, P. Nuno