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A Cruz que acolhe com os braços abertos de Cristo
Neste domingo último de agosto, mas a iniciar a rentrée escolar e o recomeço das actividades habituais das famílias, comunidades cristãs e escolas, além das profissionais, o “sabor” pode ser amargo e pesado. Com efeito, as férias oferecem a tentação duma vida melhor e o desejo de não terem fim. Mas esse não é o nosso caminho: «Quem quiser salvar a sua vida há de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa há de encontrá-la. Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? »
Foi numa cidade em Itália, chamada Rimini, a capital estival do divertimento e das férias (por vezes desregradas) na belíssima costa do mar Adriático, famosa pelas extensas praias e intensa vida noturna, que há 47 anos um grupo de fiéis católicos decidiu realizar – a contra corrente – um rassemblement, para conviver, rezar e reflectir sobre vida com Cristo no centro. Só Ele, o Senhor e Servo, de braços abertos na cruz, pode gerar a fraternidade entre pessoas de todas as idades e de todos os povos, experiência feita pelos milhares de participantes. Em 2026 o tema foi o último verso da grande obra literária italiana, A Divina Comédia, de Dante Alighieri: “O amor que move o sol e as outras estrelas”.
A programação incluiu debates, exposições, apresentações artísticas, atividades culturais, torneios desportivos e eventos para os mais jovens, com transmissões ao vivo via streaming em plataformas da web e em vários idiomas. Foram mais de 150 conferências com a participação de cerca de 500 oradores, tanto italianos como de outros países. A programação cultural incluiu, além disso, 13 exposições e 13 espetáculos.
Entre os participantes esteve o Papa Leão XIV, que falou aos dez mil participantes no auditório, a quem disse: «Numa visita a esta região há muitos anos, falando desta vocação {do descanso}, o papa São João Paulo II realçava que «descansar não quer dizer separar-se de si mesmo. Pelo contrário – dizia – descansar significa encontrar-se consigo mesmo, reconciliar-se com o próprio íntimo» (Homilia, Rimini, 29.08.1982). O mundo em que vivemos oferece muitas formas de lazer, mas algumas delas conduzem mais à dispersão e à ruína do que a um verdadeiro “reencontrar-se”, deixando um vazio no coração. Há quem lhes chame “evasão”, como se a vida diária fosse uma prisão da qual fugir. Mas nós sabemos que o lugar mais verdadeiro onde encontrar descanso, onde encontrar Deus para estarmos verdadeiramente uns com os outros, não é lá fora, no caos, mas dentro de nós, no íntimo da alma. Portanto, como comunidade cristã somos chamados de modo especial a cultivar esta experiência e a transmiti-la, mediante a abertura e a hospitalidade pessoal e das estruturas, o cuidado e o ambiente de recolhimento das igrejas, a disponibilidade a ajudar e a prática da caridade. E isto tanto para com quem procura um merecido tempo de descanso após um ano de trabalho, como para com quantos, feridos no corpo e no espírito, pedem refúgio, alimento e assistência longe da própria terra.»
Neste meeting encontraram-se muitas autoridades culturais, políticas e religiosas, além dos anónimos membros do povo de Deus e muitos homens e mulheres de boa–vontade. Um desses encontros foi muito especial: a dor foi transformada numa jornada comum de fraternidade e esperança quando Roseline Hamel, que viveu a perda de seu irmão, o Padre Jacques Hamel, degolado em plena missa, no trágico atentado terrorista de Saint-Étienne-du-Rouvray, em 2016 se encontro com Nassera Kermiche, a mãe de um dos terroristas. Dialogaram e manifestaram que a dor comum pode gerar a paz e a esperança, pois é o amor que tudo move no universo.
Ensina-nos Jesus: «Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Que poderá dar o homem em troca da sua vida? O Filho do homem há de vir na glória de Seu Pai, com os Seus anjos, e então dará a cada um segundo as suas obras.»
Como foram as tuas férias? O que ganhastes com elas? Como vai ser este novo ano pastoral, eclesial, escolar e profissional? E o que pensas ganhar com elas? Que valor de eternidade queres dar à tua vida?
Bom ano pastoral, com Jesus e a nossa Mãe, a Santa Igreja, que étambém nossa família divina e definitiva.
Com amizade, P. Nuno